O que não deu certo…

pelo viajante , em

 

Quem acompanha o blog pode até imaginar que nossas viagens sempre foram perfeitamente planejadas e perfeitamente executadas. Bom, realmente, por várias vezes, ressaltamos aqui a importância do bom planejamento e prezamos por isso. Ainda assim somos humanos e sabemos que, além de sermos falhos, o acaso está sempre aí para nos surpreender e de vez em quando atrapalhar uma coisinha e outra.

Nesse post devaneio, fazendo jus à descrição do site que diz “Contos de viagem, dicas, vitórias e DERROTAS”, vou tentar mostrar aqui um pouco desse lado menos glamoroso das nossas eurotrips.

Nem tudo fluiu como esperado. Tivemos alguns problemas e algumas coisas acabaram dando errado. Algumas vezes passamos pequenos, médios e até grandes sustos… rs Nada que impactasse negativamente a viagem. No final das contas acabamos somando historias e aprendizados.

2010 – PRIMEIRA EUROTRIP:

Mala perdida no Charles de Gaulle

Logo de cara tomamos um susto daqueles de gelar a espinha. Chegamos do Rio no aeroporto Charles de Gaulle em Paris. Esses eram, literalmente, nossos primeiros passos no continente europeu.

Gustavo no Charles de Gaulle antes do incidente...

Gustavo no Charles de Gaulle antes do incidente…

Paramos nas máquinas de venda automática para comprar tickets do RER que nos levariam ao centro de Paris. Por conta do deslumbramento com toda aquela modernidade nos distraímos e, enquanto caminhávamos para o trem com os tickets em mãos, percebemos que só um de nós estava carregando mala. Este era eu. Gustavo estava com as mãos vazias! No que eu gritei com ele: “Moleque! Cade sua mala?”, olhei bem e percebi que, na verdade, eu estava puxando a mala dele e a minha era a que estava perdida!

Quando o coração estava quase pulando pela boca, um casal bondoso veio com minha mala e perguntou se ela era nossa, para alívio geral!

Início tenso de viagem, não? rs

Molhados em Londres

Hoje em dia eu sou super fã de Paris! É minha cidade favorita de todas que já visitei! Gostei tanto que acabei voltando na “Ville Lumière” nas três Eurotrips!

Entretanto, não foi sempre assim… Enquanto o Gustavo era empolgadão com a capital francesa, eu curtia muito mais a ideia de conhecer Londres! Minhas expectativas sobre a cidade eram imensas! Queria andar no The Tube (metrô londrino), tirar fotos próximo ao Big Ben, ver os tradicionais táxis que rodam na cidade, visitar o Palácio de Buckingham e etc!

Todo esse entusiasmo pela capital inglesa se esfriou quando, literalmente, jogaram um balde de água fria na nossa passagem por lá. Choveu, simplesmente, durante 3 dos 4 dias em que ficaríamos na cidade. Deixamos de fazer algumas coisas que havíamos planejado por causa dessas chuvaradas e outras fizemos mesmo molhados e às pressas…

Foto rápida com a Tower Bridge ao fundo

Foto rápida com a Tower Bridge ao fundo

Westminster Bridge debaixo de chuva

Westminster Bridge debaixo de chuva

Gostei de Londres, mas confesso que toda essa chuva frustrou um pouco minhas expectativas e ajudou a me fazer hoje um cara mais Paris do que um cara Londres! rs

Aluguel de carro na Inglaterra

Gustavo gosta de dirigir e desde os primeiros rascunhos da nossa primeira viagem ele queria alugar um carro para ir de Londres até Manchester e de lá até Liverpool. Ele fez a versão internacional da carteira de motorista e conferiu pelo google street view que o albergue de Manchester tinha estacionamento para guardar o carro.

Estava tudo certo. Porém, pouco antes de ir, vimos que o preço de trem pro trajeto Londres x Manchester custava menos de 1/3 do valor do aluguel do carro. Como era nossa primeira eurotrip, mochileiros que somos, fazíamos tudo pelo mais barato e o sonho dele de dirigir na Europa e em mão inglesa teve que ser adiado.

Liverpool Vs Manchester City

Os fortes lembrarão que o primeiro nome desse site era uefaeurotrip. Tudo por causa de nosso fascínio por futebol, em especial pelo futebol europeu. Na Inglaterra visitamos os melhores estádios: Arsenal, Chelsea, Manchester United e etc. Porém faltava ver um jogo de verdade. Pelas nossas contas estaríamos em Liverpool no dia do jogão entre o time local e o Manchester City, onde Robinho jogava na época.

Por causa dos problemas com os hooligans, é necessário ser cadastrado para comprar ingressos para os jogos da Premier League (primeira divisão do futebol inglês). Ainda no Brasil, fizemos nosso cadastro no site do Manchester City e recebemos pelo correiro um cartão que nos habilitava a ir nos jogos. Com o cartão em mãos, faltava só chegar nas bilheterias do clube e comprar os ingressos.

Ao chegar no estádio City of Manchester, tivemos um choque quando vimos o preço do bilhete: £ 134 (cerca de R$ 400 reais na época)! Muito caro, mas decidimos abrir aquela exceção no nosso apertado orçamento de mochileiro… Afinal, não é todo dia que temos a oportunidade de ver um jogo como aquele!

Foto panoramica que tiramos do estádio do Man City

Foto panoramica que tiramos do estádio do Man City

Para nossa decepção, chegando na boca do caixa, na hora de fechar o negócio, os ingressos haviam acabado. Acabamos tendo que ver o jogo num pub em Liverpool. Desde então nenhum dia de viagem nosso em qualquer cidade coincidiu com qualquer outro jogo…

Jungfraujoch, Top of Europe

Já na Suíça, nessa mesma viagem, tínhamos planos de ir até o Jungfraujoch, a estação de trem mais alta de toda Europa localizada nos Alpes Suíços, na região conhecida como Bernese Oberland ou Terras Altas Bernenses (tradução livre). Esse era um daqueles programas que tínhamos altas expectativas e, no final das contas, foi uma das maiores frustrações.

Ao chegar na estação de trem Bern Bahnhof para ver preços e comprar tickets, a mocinha do guichê olhou no monitor e, através da câmera situada no topo do Jungfrau, percebeu que a visibilidade lá no alto era nula por conta das densas nuvens… Gastaríamos uma graninha boa pra subir sem poder ver nada lá de cima… Acabamos não fazendo…

Acidente com nota de 100 €

Ainda na Suíça, mesmo com todo o meu cuidado na hora de guardar meu dinheirinho, acabei rasgando uma nota de 100 € ! A ficha não caiu e eu guardei as metades comigo durante muito tempo até conseguir trocar a nota dois anos depois! 🙂

2011 – SEGUNDA EUROTRIP:

Rolé pelas estradas italianas

Dessa vez o sonho do Gustavo de dirigir na Europa parecia que finalmente se concretizaria! Fomos até a Stazioni di Roma Termini e paramos no balcão da Hertz para efetivar o aluguel do possante! A ideia era ir dirigindo de Roma até Milão, fazendo paradas em Maranello, onde fica a sede da Ferrari, e em Parma.

Verãozão, Roma lotada de turistas e, como consequência, não havia mais carros disponíveis para aluguel. Pra completar, pagamos caro num trenzinho velho e quente que nos levou por 6hs da Stazioni di Roma Termini até a Milano Centrale, fazendo dezenas de paradas nas cidadezinhas pelo caminho.

Lucerna debaixo de chuva

Na nossa segunda passagem pela Suíça, pegamos um dia reservado para Berna e decidimos ir até Lucerna e voltar no mesmo dia. Durante as primeiras horas da manhã debatemos se isso seria realmente proveitoso já que estava chovendo bastante.

Decidimos ir em frente com o plano de explorar Lucerna, apostando que talvez por lá não estivesse chovendo tanto quanto em Berna. Ledo engano. Pegamos o trem e já na saída da Luzern Bahnhof fomos recebidos com mais chuva ainda!

Chapel Bridge e Water Tower pelo vidro molhado

Chapel Bridge e Water Tower pelo vidro molhado

Todo esse aguaceiro atrapalhou um pouco nossos planos. Acabamos andando de ônibus turístico que é uma coisa que não gostamos de fazer. Tiramos poucas fotos e ficamos bastante tempo indoors, num pub, conversando e beliscando alguma coisa. Não conhecemos bem a cidade.

Michael, Renato e Gustavo num pub em Lucerna esperando a chuva passar

Michael, Renato e Gustavo num pub em Lucerna esperando a chuva passar

Perdendo o vôo Paris x Lisboa

Essa foi aquela derrota que acabou trazendo outras derrotas mas também trouxe coisas boas. rs Bom, a história é a seguinte: Último dia da nossa segunda passagem por Paris. Fomos no Jardin de Luxembourg e depois paramos para almoçar calmamente no TABAC LA SORBONNE, onde comemos um ótimo omelete.

Contrariando a sequência de voos matinais característicos das duas primeiras eurotrips, nosso voo Paris x Lisboa só sairia às 15h, fato que acabou gerando em nós um relaxando inconsciente com o horário.

Calculamos errado, achamos que daria tempo, mas acabou não dando. Corremos pra pegar as malas no AIJ, corremos pra pegar o metrô, o RER, corremos dentro do aeroporto Charles de Gaulle, furamos fila, fomos xingados, fizemos de tudo mas acabamos não conseguindo embarcar. O check-in havia fechado. Não havia mais jeito. Pela primeira vez na história, havíamos perdido um voo… Coisa que pra mim só acontecia em filme até aquele momento…

Tentamos manter a calma e fomos até o balcão da EasyJet para tentar remarcar nosso voo. Aí começou o efeito dominó… O próximo voo com duas vagas era somente para dois dias à frente e tínhamos que pagar, cada um, 60 €, quase o preço integral da passagem que havíamos comprado.

O segundo problema foi com albergue. Pegamos o ônibus da RATP do aeroporto Charles de Gaulle até a Opéra Garnier e de lá seguimos de metrô de volta para o AIJ.

Chegando lá fomos informados que não havia vaga para aquela noite. Isso era de se esperar. O AIJ é um albergue barato, bem localizado e estávamos em alta temporada. Sem reservar com antecedência é quase impossível conseguir camas.

Usamos o WI-FI do próprio albergue para procurar outros lugares pra ficar, mas não tivemos sucesso. Vendo nosso desespero, um dos recepcionistas do albergue nos ofereceu um quarto que estava fora de uso para hóspedes e armazenava um monte de caixas e arquivos velhos. Ficaríamos nesse quarto por uma noite e depois trocaríamos para um quarto normal. No final foi um alívio esse quartinho empoeirado! Um dinheiro bem investido! rs

Multa metrô Paris

Disse que perder o voo pra Lisboa trouxe outros problemas mas também trouxe coisas boas. Uma das coisas boas foi finalmente conhecer o Palácio de Versailles, sede da extinta monarquia absolutista francesa. Não tivemos tempo de fazer isso nos dias anteriores e esse diazinho extra caiu bem para resolver essa pendência.

Já a outra coisa ruim foi uma multa injusta que Gustavo acabou tendo que pagar no metrô de Paris. Como já explicamos aqui, apesar de ter catraca e você só conseguir embarcar passando por ela com seu bilhete, nós devemos manter o ticket conosco durante todo o percurso até realmente sair pra rua.

Quando fomos fazer uma transferência de linhas na estação Bastille, a caminho do FNAC Live que estava acontecendo no Hotel de Ville, fomos parados por uma trupe da RATP que estava realizando uma blitz. Gustavo, que sempre foi muito cuidadoso com os bilhetes, dessa vez não achou nos seus bolsos e o fiscal implacável e irredutível aplicou a multa de 40 € !!!

Essa esticada em Paris acabou nos rendendo um bom gasto extra…

Lisboa, pouco tempo

Mais do que o dinheiro gasto com a troca da passagem e a multa do metrô, o fato de ter sobrado pouco tempo para explorar Lisboa foi o que mais pesou pra gente… Havíamos planejado ficar por quatro dias e por causa do problema com o voo só nos restou 48hs de estadia na capital portuguesa.

Nesses dois dias nos surpreendemos muito positivamente com Lisboa! Gostamos de tudo o que vimos por lá e ficou a dívida de passar mais tempo numa eventual oportunidade futura!

2012 – EUROTRIP MAIS RECENTE:

O fato da última eurotrip ter sido a mais curta dentre as três acabou ajudando para que o número de bloopers dessa viagem fosse menor que das outras! Ainda assim, não passamos ilesos! rs

Kinderdjik cancelada

Seguindo no embalo de Londres e Lucerna a chuva, principal vilão das eurotrips, nos fez cancelar nosso dia em Kinderdjik, cidade dos moinhos que fica próximo a Rotterdam. No final das contas acabamos vendo os tradicionais moinhos holandeses em Zaanse Schans que nem estava nos planos originais…

No trem, em Rotterdam, vendo a chuva cair

No trem, em Rotterdam, vendo a chuva cair

Quarto mofado do AIJ

Passamos três das nossas 6 noites em Paris num quartinho bem meia boca. Parece que estava fechado há muito tempo e no primeiro dia estava bem ruinzinho. Depois, como deixávamos as janelas sempre abertas, o ambiente foi melhorando mas só ficamos satisfeitos mesmo quando trocamos pra um quarto bem mais arejado no último andar!

Torre Eiffel sem elevador

Nessa viagem cancelamos também nossa subida num dos monumentos mais emblemáticos da França, a Torre Eiffel. Eu já havia subido três vezes. Uma em 2010 e duas em 2011 mas Aline, que estava comigo, ainda não tinha tido essa experiência.

O elevador da torre estava com problemas e sabíamos disso desde antes da partida pra Europa. Acompanhávamos as notícias na esperança de que o elevador voltasse a funcionar antes de chegarmos a Paris mas isso acabou não acontecendo.

Por conta da falta de um dos elevadores, as filas eram quilométricas e acabamos vendo Paris do alto por ângulos alternativos e até então inéditos para nós. Tivemos gratas surpresas ao subirmos nas Torres da Catedral de Notre-Dame e na Torre de Montparnasse.

A Torre Eiffel e as cúpulas de Invalides e de Saint Germain de Prés vistos do alto das Torres de Notre Dame

A Torre Eiffel e as cúpulas de Invalides e de Saint Germain de Prés vistos do alto das Torres de Notre Dame… Nada mal, não?

Mantenha-se calmo

Pessoal, problemas acontecem! O segredo é sempre manter-se calmo e não deixar que essas coisinhas pequenas atrapalhem sua estadia no Velho Mundo e nem em qualquer outro lugar pra onde você esteja viajando!

Viagens são momentos únicos que devem ser aproveitados ao máximo! Normalmente passa muito mais rápido do que gostaríamos, então não é vantagem ficar perdendo tempo e paciência com esses percalços! Como falei no início, tente fazer desses episódios uma oportunidade de apredizado. Olhe pra eles como mais uma história que você tem pra contar!

Além do mais, enquanto há vida, há esperança! Quem sabe num futuro próximo não consigamos fazer tudo aquilo que gostaríamos de ter feito e acabou não dando certo num primeiro momento? 🙂

Até mais,

Renato Vieira


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